O deputado João Campos do PSDB de Goiás vem demonstrando uma forte relação com o sentimento que vem das ruas: além de ser o autor do famigerado projeto da "cura gay" foi um dos poucos (nove) resistentes que, mesmo diante de toda a pressão, votou a favor de outra famigerada, a PEC 37.
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terça-feira, 25 de junho de 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Longe das ruas
Um resumo-análise da perspectiva de Fernando Henrique Cardoso sobre os rumos da sociedade brasileira pós-manifestações.
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Li as declarações de Fernando Henrique Cardoso que saíram nos jornais e assisti à entrevista de domingo na televisão. Iniciou falando que os acontecimentos das últimas semanas são um "movimento social" e não um "movimento político". A proposta do programa era falar dessa sociedade em ebulição. Infelizmente, ele não falou como sociólogo. Ou quase não falou como sociólogo. Foi convidado sob essa insígnia, mas falou como um político ligado a uma estrutura partidária.
Ele e entrevistadores tangenciaram a falta de conhecimento da sociedade sobre decisões importantes para o país como a nova Lei dos Portos. Mas não se tratou verdadeiramente deste descolamento entre os poderes constituídos e a sociedade, da despolitização que resulta na manifestação em forma de panacéia.
Pelo contrário: exceto uma rápida menção à PEC 37, não se falou das "vozes das ruas". Aliás, interessante foi ver uma reportagem da Folha onde os jornalistas abordaram pessoas que carregavam cartazes contra o "PC 37". Uma jornalista perguntou: "você fala da PEC 37?". Uma mulher na Avenida Paulista, com aquele tom de quem sabe tudo, corrigiu a jornalista: "não, não, é o PC 37! É um negócio que, tipo, como vou te dizer? Dá privilégio aos poderosos, sabe?". Com um ativismo tão qualificado, não me espantará se daqui a uns dois, três meses, a votação do "PC 37" entre de novo na pauta de votações do Congresso.
Mas voltando às falas de Fernando Henrique. Concentraram-se nas velhas diferenças entre PT e PSDB, que ambos os partidos tem tocado na última década, os dois com um certo distanciamento da sociedade no que diz respeito ao anseio de participar dos processos decisórios, tão levantado nos últimos dias.
Elogiou as medidas anticíclicas do governo Lula em 2008, mas criticou a persistência dos estímulos ao consumo. O problema do caos urbano deve-se ao fato de que as pessoas passaram a comprar mais carros. Resposta precária que apenas demonstra que, de sua parte, não há disposição de superar o Fla X Flu de tucanos e petistas que ele próprio critica.
Falou que, na sua visão, a tentativa de estimular a industrialização do atual governo é equivocada, pois concentra-se em subsídios e financiamentos que favorecem certos setores da indústria. O equívoco residiria no fato de que as cadeias de produção são transnacionais e que, portanto, esse tipo de estímulo padece de um protecionismo atrasado. O que ele propõe em substituição é algo muito igual à nada nova teoria do desenvolvimento dependente: as cadeias transnacionais automaticamente promoveriam o crescimento do país.
Elogiou a qualidade das universidades privadas. Disse que antigamente a qualidade das universidades privadas era inferior à das públicas e que hoje há uma maior equiparação. (Interpretações livres. Me abstenho).
Criticou a imagem da atual presidente de uma pessoa dura, que pune seus subordinados. Disse que o Brasil - e afirmou que vem trabalhando isso nas reuniões de seu partido - precisa encontrar algo que traduza uma imagem que o povo quer ver como Obama fez valer com o seu "Yes, We Can". Para Fernando Henrique (fiz força para não rir, quero manter a seriedade do texto), o que colaria no Brasil seria um "Yes, We Care". Mas isso esbarraria no problema da tradução, que em português precisaria de uma frase longa demais para passar a mesma ideia: "Sim, nós cuidamos de você". Disse que o que o povo brasileiro quer é carinho. É o problema de alguém que fala para uma audiência cativa
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